O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, afirmou esta quarta-feira, no Porto, que Portugal tem condições para organizar os Jogos Olímpicos e que Rosa Mota está em boa posição para ser membro do organismo.
À chegada ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, Jacques Rogge ditou os primeiros passos para uma possível candidatura de Portugal à organização dos Jogos Olímpicos.
"A primeira coisa que têm de fazer é falar com as autoridades públicas, com o movimento do desporto e o mundo económico para ver se podem existir sinergias entre todos. Portugal realizou o Euro2004, que foi um enorme sucesso, e não há razões para não estar preparado para realizar os Jogos Olímpicos. Se a Grécia organizou... porque não Portugal", avançou.
Quanto ao nome de Rosa Mota, avançado pelo Comité Olímpico Português para substituir Fernando Lima Bello no COI, Jacques Rogge deixa a porta aberta para a antiga campeã olímpica (venceu a maratona em Seul, em 1988).
"Ela está em boa posição para ser candidata e, definitivamente, tem de ser reconhecida. É uma mulher com grande reputação, é uma grande campeã. No entanto, isso não quer dizer que entre imediatamente, mas com certeza será considerada no futuro", explicou.
O presidente do COI abordou também o recente escândalo das apostas ilegais no futebol, que estalou na Alemanha, considerando um "enorme perigo" para o desporto.
"É um enorme perigo para o desporto, tal e qual como o doping. As apostas ilegais têm vindo a crescer ao longo dos anos e é assustador. Teremos de ser muito cuidadosos com este fenómeno", alertou.
Jacques Rogge está em Portugal para receber, quinta-feira, o doutoramento "honoris causa" pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, uma distinção que qualifica de honrosa.
"É uma grande honra. Eu sou um produto da universidade, já que trabalhei durante muito tempo numa. É uma grande honra, ainda para mais ser reconhecido por uma grande universidade, como é a do Porto", considerou.
Sexta-feira, Rogge viaja para Lisboa, onde participará nas comemorações do centenário do Comité Olímpico de Portugal.
O líder do COI desvalorizou o facto de o Presidente da Republica, Cavaco Silva, e o Primeiro-Ministro, José Sócrates, ainda não terem confirmado a presença na cerimónia.
"Não estou ciente disso, mas posso imaginar que se eles não estiverem presentes é por terem uma agenda muito preenchida. Se eles não vierem não será um problema", concluiu.