A vitória do Egipto sobre a Argélia, em jogo de qualificação para o Mundial2010, provocou sábado distúrbios no Cairo e na cidade francesa de Marselha, além de ter originado muitas queixas da federação argelina de futebol.
Ao ganhar por 2-0 no Cairo, a selecção do Egipto levou a decisão para um jogo de desempate, previsto para quarta-feira no Sudão, mas o encontro de sábado à noite ficou marcado por uma dezena de feridos e meia centena de automóveis destruídos na capital egípcia.
Em Marselha, cidade do Sul de França onde residem muitos argelinos, não se registaram feridos, mas grupos de jovens incendiariam automóveis e contentores de lixo, partiram montras e lançaram bombas de fumo para seis pequenas embarcações atracadas no porto local, duas das quais acabaram por naufragar.
Após o jogo houve ainda confrontos com a polícia de Marselha, que comunicou ter detido seis pessoas, a maioria delas por ter lançado projécteis sobre as forças da autoridade, que contaram com um efectivo de 500 agentes.
Na capital do Egipto, o contraste entre a euforia dos egípcios e a frustração dos argelinos esteve na origem de problemas em redor do Estádio Internacional do Cairo, onde se concentraram milhares de pessoas que já não tiveram lugar nas bancadas do recinto.
Os adeptos locais celebraram os golos e a vitória com gritos, fogo de artifício e saltos, incluindo em cima de automóveis estacionados junto ao estádio - segundo noticia o diário egípcio “Al Masry al Yom”, pelo menos 50 automóveis ficaram destruídos.
Muitos adeptos tentaram entrar no estádio para celebrar a vitória com a selecção, mas esbarraram no forte dispositivo policial destacado para garantir a segurança do jogo, o que resultou em confrontos que provocaram uma dezena de feridos, sete dos quais tiveram de ser hospitalizados.
A polícia anti-motim também teve de intervir para evitar que adeptos egípcios atacassem os argelinos que estavam no interior do estádio. De acordo com o diário estatal “Al Ahram”, estes incidentes terão tido origem na queima de uma bandeira egípcia por parte de um adepto argelino.
Durante a noite, a embaixada argelina no Cairo foi isolada pela polícia anti-motim, que cortou as ruas circundantes e montou um cordão de segurança para evitar distúrbios.
O ambiente em torno do jogo estava em ebulição há vários dias e teve um pico de polémica na quinta-feira à noite, quando os jogadores argelinos acusaram um grupo de adeptos egípcios de terem atacado à pedrada o seu autocarro quando se deslocavam do aeroporto para o hotel.
Segundo os argelinos, o incidente provocou quatro feridos na sua comitiva, mas a imprensa egípcia acusou os visitantes de terem encenado o ataque para criarem mais tensão em redor do jogo.
O “Al Masri al Yom” acrescenta ainda que a federação argelina de futebol reclama agora que o Egipto lhe devolva os 34 000 dólares (22 800 euros) pagos pelo alojamento da equipa no Cairo e os 6000 (4000) pela entrada no país, como compensação pelo “mau tratamento” recebido dos anfitriões.