O comentador desportivo Rui Santos, mentor da petição a favor da introdução das novas tecnologias no futebol, defendeu esta terça-feira que é urgente atacar as questões que retiram credibilidade à modalidade.
"É preciso mudar e introduzir neste caso particular novas tecnologias para um futebol mais limpo e justo, porque a modalidade só tem a ganhar com isso. E, no caso português, temos de ter a noção de que não podemos capitular mais, não esperar mais, temos que atacar as questões que lhe estão a retirar a credibilidade", disse.
Rui Santos falava no final de uma audição na Comissão parlamentar de Educação e Ciência na qualidade de promotor de uma petição (mais de sete mil assinaturas) entregue no início de Janeiro na Assembleia da República a favor da introdução das novas tecnologias no futebol.
Para o comentador de futebol, a audição "correu bem", salientando que ouviu "o que esperava", designadamente "algumas resistências" em função daquilo que "é a autonomia do movimento associativo (federações)".
"Mas é exactamente isso que está em causa: A questão da dificuldade, da auto-regulação desse movimento associativo e é nesse sentido que vão as nossas preocupações", acentuou.
Rui Santos lembrou que o desporto, "de uma maneira em geral, é regulado em função de uma lei de bases e essa pode dar respostas à actualização do desporto profissional, nomeadamente ao futebol", esclarecendo que é esse, em parte, o sentido da argumentação dos peticionários.
"Temos a noção de que todas as forças políticas (no Parlamento) são sensíveis ao princípio genérico da verdade desportiva, mas o que está aqui em causa é ultrapassar uma resistência óbvia que tem a ver com os órgãos internacionais que tutelam o futebol", adiantou, admitindo que essas instâncias "começam a aperceber-se, em função do volume dos erros que desvirtuam a verdade desportiva", que essa é uma atitude "difícil de alimentar".
E concluiu: "Estamos a dar passos muito concretos, muito seguros para tentar entrar num tempo novo, no tempo da modernidade para ajudar o futebol, no fundo, a refundar a sua credibilidade, que foi perdendo a pouco e pouco".
O deputado João Sequeira, que vai redigir o relatório da petição, sintetizou as questões mais relevantes desta primeira audição: Todas as bancadas defendem a verdade desportiva, todas têm em atenção a autonomia outorgada pelo Estado ao movimento associativo e todas conhecem as competências do Parlamento nessa matéria.
Pela Comissão, vão ainda passar, entre outros, os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol, da Liga e da sua Comissão de Arbitragem, da Associação de Treinadores e do Sindicatos dos Jogadores Profissionais de Futebol.
A petição, por estar subscrita por mais de 7000 pessoas, será debatida em plenário da Assembleia da República.