O antigo jogador e ex-vice-presidente da Académica Vasco Gervásio foi hoje recordado por vários quadrantes da "Briosa" como um dos maiores futebolistas do clube de todos os tempos e um exemplo de academismo a seguir.
"É uma grande perda para a Académica. Gervásio, tal como João Moreno e outros académicos, fazem parte da história e da tradição da Académica e simbolizam aquilo que ela devia ser pelos bons motivos", disse o presidente da Académica, José Eduardo Simões, a propósito da morte do seu colega da anterior direcção por ele também presidida.
Por seu turno, Frederico Valido, actual presidente do Núcleo dos Veteranos, disse à Agência Lusa ter-se perdido "uma parte importante do património da AAC".
"Foi sempre um exemplo para todos nós. Foi um desportista que esteve nos momentos áureos da Académica, por onde jogou durante 17 anos. É uma perda difícil de superar, porque era um bom amigo", afirmou Frederico Valido.
José Belo, seu colega de equipa e ex-presidente do Núcleo dos Veteranos da Académica, definiu Vasco Gervásio como "uma jóia da coroa", no livro Académica - História do Futebol, de João Mesquita e João Santana, acrescentando que "era um colega com uma personalidade vincada".
"Para mim, foi um excelente companheiro, com um humor imbatível, com uma visão positiva dos problemas. É a maior figura da história da Académica, pois além de jogador, representou a selecção nacional, foi treinador, fez regressar a Académica à primeira divisão e foi dirigente de sucesso", sublinhou João Paulo Fernandes, presidente da claque Mancha Negra e ex-colega de direcção no anterior mandato de José Eduardo Simões.
Vasco Gervásio era natural de Malveira, onde nasceu a 05 de Dezembro de 1943. Foi médio e capitão da Académica nos anos 60 e 70, tendo disputado 430 jogos ao serviço da "Briosa", sendo um dos jogadores com mais jogos pelos "estudantes". Foi 284 vezes capitão da equipa, suplantando a marca de Mário Wilson, que capitaneou 207 vezes.
Estreou-se a 30 de Setembro de 1962, num jogo com o Académico de Viseu e terminou a carreira a 17 de Junho de 1979 (com 35 anos), contra o Vitória de Guimarães, quando João Moreno era, na altura, presidente academista.
Disputou, em 1967, a final da Taça de Portugal, com uma derrota da "Briosa" por 3-2 com o Vitória de Setúbal, após três prolongamentos, e, a final de 1969, derrota por 2-1 com o Benfica, também após prolongamento. Nesta temporada de 1968/69, a Académica alcançou o segundo lugar no campeonato nacional.
Ultimamente, foi vice-presidente da Académica entre 2002 e 2008, primeiro na era de João Moreno como presidente, e, a partir de 2003, com José Eduardo Simões como timoneiro.
O corpo vai estar hoje em câmara ardente a partir das 16:00, no Pavilhão Jorge Anjinho. Domingo, será realizada, pela manhã, uma missa de corpo presente.
Após a cerimónia religiosa, o corpo seguirá para a Figueira da Foz, onde será cremado, segundo vontade expressa por Vasco Gervásio.