Caso de Valongo foi originado por "iniciativa" do árbitro
PAULA CAPELA MARTINS
Paulo Romão, primeiro árbitro no encontro Valongo-FC
Porto do passado sábado, pode ser sancionado pelo conselho de
arbitragem da Federação Portuguesa de Patinagem (FPP), na
sequência de uma reunião informal com os treinadores Paulo
Pereira e Franklim Pais, uma hora antes do jogo, na qual terá
anunciado "alterações de procedimentos relativamente
às faltas de equipa". Segundo os técnicos, o juiz de
Lisboa defendeu que estas eram "ordens decorrentes da reciclagem" do
dia 14 de Fevereiro, daí que Valongo e FC Porto tenham
questionado o motivo pelo qual não tinham sido informados
antecipadamente e o que levava à mudança a meio do
campeonato, embora, no mesmo dia, nenhum dos árbitros nomeados
para as restantes partidas tenham seguido o exemplo de Romão.
Ontem, Paulo Rodrigues, vice-presidente da FPP e da comissão de
acompanhamento das novas regras, esclareceu: "Nunca a
federação teria a veleidade de alterar regras a meio da
época, sem ouvir os clubes ou indo contra regras internacionais.
Se haveria alguma coisa a informar não seria antes dos jogos,
nem os árbitros seriam os mensageiros. A federação
assume que as regras não podem ser estanques e que pode haver a
necessidade de acertos, mas num documento aberto e contando com todos
os agentes da modalidade." Fernando Graça, membro da
comissão técnica de acompanhamento das novas regras e da
comissão europeia autora do projecto, sublinhou: "Tratou-se de
uma iniciativa individual. Os árbitros não estão
mandatados para promover reuniões. Haverá uma
audição formal e uma sanção disciplinar."
Já Ricardo Oliveira, representante máximo dos
árbitros (ANAHP), defendeu: "As regras não mudaram. O
jogo de Valongo tinha uma forte carga emotiva e a abordagem foi feita
num diálogo informal, mas que induziu em erro. A reciclagem
serviu para afinar agulhas e os que não apitavam bem, ficaram a
saber como se apita."
Juízes lusos são os que menos apitam faltas
Na reciclagem sob a égide do CERH, onde se debateram as
dúvidas mais frequentes, foram apresentados dados
estatísticos que demonstram que os árbitros portugueses
são os que menos apitam faltas de equipa. A vontade de
uniformizar poderá aumentar o número de faltas de equipa:
em Valongo foram 29 no total. Fernando Graça aproveitou para
esclarecer um ponto: "Os que consideraram que estavam a trabalhar mal
é que tiveram de alterar procedimentos." E deixou ainda um novo
dado: "Cada federação delibera se a Lei da Vantagem
está associada a uma falta. Em Espanha, está. Aos
árbitros portugueses foi aconselhado dar a Lei da Vantagem, por
exemplo, nos contra-ataques prometedores, mas sem falta de equipa."
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