Adeptos muito críticos e sem esperança
MANUEL TAVARES
Não há que enganar: a maioria dos adeptos portugueses
acha que o nosso principal campeonato de futebol vai ser decidido fora
do campo de jogo. Os resultados da sondagem mensal da Eurosondagem para
O JOGO, Sport TV, TSF e Diário de Notícias (ver
páginas 20 e 21) colocam os erros de arbitragem e os incidentes
disciplinares nos túneis de acesso aos balneários bem
à frente das incidências do próprio jogo como
factores influenciadores dos resultados que hão-de gerar o
próximo campeão nacional.
Estes sinais poderiam representar apenas uma valoração
de circunstância, ditada pela acumulação inusitada
de casos polémicos. Mas não é somente disso que se
trata, uma vez que outros dois resultados desta sondagem acabam por
acentuar essa visão negativa da competição: as
apreciações negativas sobre os desempenhos dos
presidentes das comissões Disciplinar e de Arbitragem da Liga
deixam entender que, para além de críticos, os
portugueses não alimentam grandes esperanças na
possibilidade dos dirigentes em resolver os problemas. Pelo
contrário, o que a sondagem mostra é uma opinião
pública que considera que os dirigentes também fazem
parte do problema.
As sondagens não podem ser levadas à conta de
instrumentos cientificamente inabaláveis, mas ignorá-las
não passa de manifestação canhestra de quem
não deseja enfrentar os problemas, ou, no mínimo, a ideia
que as pessoas fazem de situações que identificam como
problemáticas.
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