Falcao a 7 do melhor Lisandro
CARLOS GOUVEIA
Lisandro foi a principal referência ofensiva do FC Porto ao
longo dos quatro anos do tetracampeonato. Por isso mesmo, quando o
argentino assinou pelo Lyon, no Verão, a troco de 24
milhões de euros, temeu-se que a sua saída provocasse um
vazio impossível de preencher no ataque. Receios que Falcao
provou serem infundados. Na sua época de estreia na Europa, numa
fase que para muitos jogadores é de adaptação,
Falcao é pelo menos tão eficaz como o melhor Lisandro.
Aliás, a continuar assim o colombiano não deve demorar
muito a ultrapassar o melhor registo de Licha em Portugal. Em 2006/07,
o argentino marcou 27 golos (24 no campeonato e três na Liga dos
Campeões). Ora, até agora o colombiano já chegou
aos 20 (14 no campeonato, três na Taça de Portugal e
três na Champions). Ao Tigre falta-lhe apenas dar uma bicada na
Taça da Liga, prova em que tem apenas 45 minutos de
utilização. Amanhã, contra a Académica,
deverá ter nova oportunidade e logo no dia em que cumpre o
24º aniversário. A melhor prenda? O jogador já a
revelou em entrevista recente a um jornal do seu país:
"Peço a Deus que me permita entrar em campo com a equipa para
fazer aquilo que temos a fazer". Seguramente que um golo ajudaria
à festa.
Ave rara, portanto em vias de extinção, contratada
pelo FC Porto ao River Plate - escapou por entre os dedos ao Benfica -
não pára de dar bicadas. No domingo houve mais "um rugido
de golo", como escreveu o próprio na sua página pessoal,
o 20º esta temporada, o que faz dele no melhor estreante desde que
Jardel surgiu do nada no futebol nacional. Leva nove golos nos
últimos seis jogos em que foi titular, eficácia que a
manter-se o aproximará de números, no mínimo,
invejáveis para não dizer históricos. Por exemplo,
no River Plate fez 45 golos em 107 jogos. Por cá tem 25 partidas
e já atingiu as duas dezenas de tiros certeiros. Mais
impressionante ainda é o facto de quase 70 por cento dos seus 58
remates no campeonato serem dirigidos à baliza. Aliás,
nesse registo é o melhor jogador da liga portuguesa.
Perdeu-se um jornalista - chegou a iniciar o curso de
Comunicação Social na Universidade de Palermo, Buenos
Aires - mas ganhou-se um matador, capaz de encher páginas de
jornais. Esta é só mais uma prova e se existiam
dúvidas quanto ao apelido El Tigre, atribuído por ser
feroz a atacar a baliza, os golos com a camisola do FC Porto
dissipam-nas. Ainda não teve direito a letra para música
como Jardel, mas este Falcao também voa sobre os centrais como
há muito não se via no Dragão.
4
Quando o pior pé é o esquerdo e mesmo assim se
conseguem quatro golos, o balanço só pode ser positivo.
Curiosamente, esses quatro golos com o pé esquerdo aconteceram
todos na Liga Sagres, sempre na pequena área e o Leiria é
a maior vítima, com dois golos sofridos, sendo que Olhanense e
Leixões também já provaram o pé esquerdo do
colombiano.
9
O Sporting foi o último a tombar perante o pé direito
de Falcao que, em força ou em jeito (como com o calcanhar que
aplicou contra o Atlético de Madrid) resolve a questão
com a maior das desenvolturas.
7
O primeiro episódio da série de golos de cabeça
de Falcao começou em Paços de Ferreira e repetiu-se, no
total, sete vezes, a última das quais no domingo, contra a
Naval. Para quem mede 1,77m, como Falcao, "voar" não tem sido um
problema, como frente à Naval, mergulhar para a bola, de
cabeça, também não.
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