Sporting campeão de juniores
JOÃO SANCHES
SÉRGIO KRITHINAS
"Afinal, ainda não se podem ganhar campeonatos à
pedrada." É bem capaz de ter sido este o desabafo do presidente
José Eduardo Bettencourt após a leitura do
acórdão ontem emanado do Conselho de Justiça (CJ)
da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e subsequente
ilação de que o Sporting vai ser homologado
campeão nacional de juniores de 2008/09. Oposta é, no
entanto, a interpretação que o Benfica faz do
acórdão, entendo que a decisão do CJ só vem
confirmar a atribuição do título aos encarnados.
Cabe agora à Direcção da FPF arrumar o assunto,
mas, segundo referiu a O JOGO José Manuel Meirim, especialista
em direito desportivo, as conclusões são
inequívocas: as faixas de campeão vão para
Alvalade. Parecer que foi corroborado à agência Lusa pela
relatora do processo, Alexandra Pessanha, segunda a qual o
acórdão é claro, ao considerar que "o único
responsável pela interrupção do jogo foi a claque
do Benfica".
Passados mais de quatro meses sobre os incidentes que mancharam o
Sporting-Benfica da sexta e última ronda da fase final do
campeonato de juniores, volvidos mais de três meses sobre a
decisão recorrida do Conselho de Disciplina (CD), o CJ deliberou
parcialmente procedente o recurso apresentado pelo Sporting relativo ao
campeonato de juniores 2008/09, absolvendo o clube da
infracção disciplinar que lhe havia sido imputada pelo CD
e que era punível com derrota (0-3) e três jogos à
porta fechada. Sanção que, por outro lado, foi mantida ao
Benfica, uma vez que o recurso interposto por este emblema foi
considerado indeferido, embora tenha havido uma pequena emenda à
deliberação anterior: a realização de jogos
à porta fechada deve ser cumprida "imediata e consecutivamente",
e não apenas nos jogos com o rival.
Esta decisão eleva o Sporting a campeão nacional,
pois, de acordo com a consequência da pena de derrota prevista
pelo ponto 1 do artigo 32º do Regulamento Disciplinar da FPF, "o
clube punido perde os pontos correspondentes ao jogo respectivo, os
quais são atribuídos ao adversário". Sendo assim,
e uma vez que a diferença entre os primeiros classificados se
cifrava em dois pontos, o Sporting, mercê desta
resolução de "secretaria", ultrapassa o rival.
Na parte do acórdão em que é descrita a
"apreciação dos factos à luz da prova produzida
nos autos", o CJ releva a existência de indícios "de uma
certa premeditação" por parte do grupo de adeptos do
Benfica para recorrer à violência por forma a perturbar o
dérbi disputado na Academia, em Alcochete, fosse pelo arremesso
de uma tocha acesa para dentro do campo de jogo, fosse pelo arremesso
de pedras para a bancada, facto que originou a invasão de campo
por parte dos adeptos do Sporting - afectando depois a ordem e a
disciplina no recinto desportivo -, fosse ainda pela frase "Nós
viemos aqui para acabar com isto" testemunhada pelo comandante-geral da
GNR e que terá sido proferida por um dos 30 adeptos que, sem
bilhete, entraram na Academia numa hora em que o jogo já se
tinha iniciado.
Apesar da decisão do CJ, a polémica promete continuar.
Porque o acórdão, para o Benfica, "é pouco ou nada
conclusivo e até, em algumas partes, ininteligível",
esperando agora o clube da Luz que a FPF "venha a público
traduzir o mesmo e divulgar quais as consequências que daí
extrai".
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