"Miúdos" do Dragão têm 97% de aproveitamento
Longe vão os tempos em que a habilidade com a bola nos
pés era condição mais do que suficiente para um
jovem pousar os livros na prateleira à espera de melhor
oportunidade e optar por uma carreira nos relvados, ainda que incerta.
Na verdade, no FC Porto esses tempos já nem sequer existem.
Simplesmente, "não há futebol sem estudos", frisa
Ângelo Santos, director pedagógico da Casa do
Dragão, instituição que alberga cerca de 40 jovens
da formação, proporcionando-lhes condições
especiais de estudo com base em parcerias com duas escolas da cidade.
Por outras palavras, um jogador pode ser muito bom e promissor, mas se
não estudar ou não estiver disposto a isso, também
não pode jogar futebol no clube. "Quem está na
formação, tem de estar na escola", alerta.
A medida nada tem de radical. "Antes, lutava-se para que os
jogadores fossem à escola; agora a luta é para ver quem
tira as melhores notas". Tudo isto num processo de
responsabilização e consciência próprias que
foi ganhando raízes ao longo dos últimos anos. Os
resultados são esclarecedores. "Temos 97 por cento de
aproveitamento e constatamos que quem não tem aproveitamento
escolar, também não é o melhor dentro do campo".
Para Ângelo Santos, a aposta do FC Porto na
conciliação do futebol com os estudos tem outra vantagem:
convencer os pais a libertarem os filhos e a deixarem-nos sair de casa
cedo para ingressarem no FC Porto. "Muitas vezes me dizem: ainda bem
que o meu filho veio para o FC Porto, porque sei que aqui não se
facilita na educação". Outro exemplo: Gray, um
avançado sueco de 16 anos que era pretendido por um grande clube
inglês, preferiu o FC Porto precisamente devido à aposta
nos estudos. O caminho nem sempre é seguido pela maioria dos
emblemas.
A Casa do Dragão, a mesma em que Pauleta ficou quando tentava
a sorte nas camadas jovens portistas, acolhe várias
nacionalidades. Há jogadores de Angola, Guiné, Brasil,
Espanha, Suécia, Senegal, Turquia, República Checa,
Estados Unidos e Eslováquia, para além de vários
portugueses (a maioria, de resto). Segundo Ângelo Santos, todos
"aprendem rapidamente" a língua portuguesa e até
há quem se afirme como líder. É o caso de
Abdoulaye, o gigante central senegalês da equipa de sub-19.
Sociável e responsável, é visto como um exemplo
por todos os jovens que moram na Casa do Dragão. Aliás,
Jesualdo Ferreira já o chamou por diversas vezes. Para estes
jovens, as chamadas aos treinos da equipa principal são como
viagens ao futuro no FC Porto. Com boas notas na escola, claro.
|
|
|
 |
Outros artigos em: Valeri |
|
|
|